Quase aos 100 anos, canta Fado de Coimbra

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Mensagem por Jornal Extra em Ter 8 Abr 2008 - 22:07

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Chama-se Botelho, tem 93 anos
e ainda mantém o interlocutor
preso da sua conversa
agradável e bem disposta.
Alto, bem constituído,
silhueta valorizada por um farto cabelo muito branco
e penteado a pender os ombros em ar de poeta.
Não faz versos mas canta-os,
nos fados de Coimbra de memórias da universidade
e de serenatas, de capa e batina, que também usou.


Recorda-as com ternura, a lembrar a interrupção do curso superior, para “evadir-se” da auteridade do pai, “há-de ser doutor sim senhor, quem manda sou eu”, mas não mandou não senhor, porque o jovem Botelho trocou Europa por África, onde viveu, casou, teve filhos e foi caçador nas horas vagas, para desanuviar a tarefa nas Finanças onde como funcionário superior se credenciou.

O apelido Botelho herdou-o de uma família brazonada do norte de Portugal grande prole com um pai austero e obstinado que recorda com saudade mas não poupa a criticas.

“ Eu era rapaz, queria viver a vida e ele não me deixava…”

Com África no caminho. Nas Finanças, em África, adequou métodos, estabeleceu fórmulas reformou sistemas. Impôs-se por saber, e isenção. Defendeu injustiçados e incomodou o Governo quando o sistema de tributação se metia por “searas alheias”, multando mais a quem devia pagar menos. Botelho é homem de fibra; não pactua com injustiças e mantém a mesma postura vertical e determinada a uns ligeiros anos da meta dos 100!

No intervalo da chamada para exame no posto clínico aí o encontrámos e começa a “cavaqueira”.

Um outro lado da “história”


Com efeito o EXTRA fez investigação e confirmam-se os incidentes. Maria Soares foi na tarde do incidente socorrida por terceiros. Na ARPCA o presidente da direcção ignorou o seu estado, bem como os outros directores presentes por ser dia de reunião. Protegeu o vogal agressor que se refugiou no gabinete da direcção. Uma das utentes que estava presente no ensaio. e que nos procurou posteriormente confirma que Maria Soares ficou em estado de choque e que o maestro José Carita até parou o ensaio do Côropor causa do burburinho.

Uma outra utente, agora internada num Lar, também testemunhou e disse saber que há um processo em Tribunal contra a direcção da ARPCA em consequência do sucedido.

No registos do Hospital Garcia de Orta consta ficha, naquele dia com o nome de Maria Soares.

Uma fonte próxima da instituição confirmou que, Domingos Torgal, presidente da instituição desvalorizou o caso e caiu no esquecimento, insistindo em dizer que nada aconteceu. Um sócio da ARPCA e da ACADEMIA, onde Torgal é presidente recorda: “…também quando o outro infeliz, a mudar a lâmpada no tecto do cinema, sem cinto porque não havia, caiu e morreu ele cá fora disse a sorrir aos jornalistas que era traumatismo e perna partida; é irresponsável e inseguro, bom palrador e não mais que isso. A vida dupla que leva revela fraqueza moral e falta de coragem para se assumir. Está deslocado naqueles lugares”.

Na ARPCA não são poucos os sócios que o consideram sem perfil para o cargo.

No espaço de um ano já saíram membros da mesa da Assembleia, da direcção, do conselho fiscal, vogais e tesoureiro. Há sócios qualificados, e idóneos, que aceitariam cargos. Um dos lugares em aberto foi preenchido por uma autarca, com cargo executivo e que exerce, noutro local, a sua profissão a tempo inteiro. Faz também parte do executivo de uma colectividade local. Com tantos cargos é de supor que nem todos sejam cumpridos com o exigido rigor.

Na ARPCA a direcção desrespeita os estatutos quando volta a chamar ao executivo um elemento que foi rejeitado, e convidado a demitir-se em reunião plenária de Corpos Sociais.

As denúncias feitas à Segurança Social pelos utentes, por escrito, não tiveram resposta, sendo por certo mera coincidência o facto de a assistente scial destacada para a ARPCA ter um cargo de atendimento na Junta de Freguesia onde Torgal é presidente de Mesa.

Os utentes queixam-se de descriminação na comida, da quantidade e da qualidade, principalmente para diabéticos. Queixam-se da rudeza da cozinheira. Queixam-se do pouco tempo que passam ali. Chegam perto das 11 horas e vão de volta antes das 14 depois do almoço por conveniência do motorista.

O dia-a-dia na ARPCA não é saudável.


O sentido da justiça


Canta no coro da ARPCA, instituição para idosos, fundada por Hortênsia Neves de Sousa e pioneira em Portugal depois de Abril/74. Consciente dos direitos e dos deveres, inteligente e crítico, reporta-se a um incidente grave que o revoltou.

Numa tarde em Abril de 2006, de ensaio de coro, sala cheia, agita-se um reboliço com o vogal da direcção, Adelino Dias, a agredir uma utente. Maria Soares, apanhada de surpresa, de 83 anos, também ela co-fundadora, afilhada de Hortênsia orienta uma recolha de assinaturas de apoio à vice-presidente injuriada por membros da direcção. Botelho aparta Maria Soares das mãos do agressor. Outros se aproximam assustados com o burburinho. Há testemunhos. Indignação.

Botelho, acalorado no recordar da situação, - que o presidente Domingos Torgal, silenciou, escondeu e desmentiu -, comenta sobre o agressor: se eu tivesse menos dez anos tinha-lhe partido o focinho…”

Botelho, homem cordato, indigna-se com injustiças. Causou surpresa a utentes e a membros dos corpos sociais, que entretanto se demitiram, o comportamento do presidente que, consideram: “foi vil”.



Edição n.º 25 (2ª Quinzena de Fevereiro de 2008) do Jornal Extra
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